Você tem alguma dúvida se pode ter alergia a camarão? Então é importante ter cautela: essa é uma das alergias alimentares mais comuns em adultos e pode surgir até mesmo em pessoas que nunca apresentaram reação antes, inclusive após anos consumindo o alimento sem problemas aparentes.
Em muitos casos, os sintomas aparecem poucos minutos após o consumo, mas também podem surgir horas depois, variando de manifestações leves na pele até quadros mais graves que exigem atendimento médico imediato.
Por essa diversidade de sintomas, a alergia a camarão pode ser facilmente confundida com intoxicação alimentar ou outras reações digestivas. Além disso, a condição pode estar associada a alergias respiratórias, como rinite e asma, o que torna o diagnóstico ainda mais desafiador. Por isso, é fundamental conhecer melhor essa condição para saber como proceder caso ela se manifeste.
Quanto tempo depois de comer camarão surgem os sintomas?
Os sintomas da alergia a camarão costumam surgir rapidamente, geralmente entre alguns minutos e até 2 horas após o consumo. Em pessoas mais sensíveis, a reação pode aparecer quase imediatamente, inclusive após contato mínimo com o alimento.
As manifestações iniciais mais comuns incluem:
- Coceira na pele ou na garganta
- Manchas vermelhas ou urticária
- Inchaço nos lábios, pálpebras ou rosto
- Náuseas, dor abdominal ou vômitos
Em situações menos frequentes, os sintomas podem surgir algumas horas depois, especialmente quando a quantidade ingerida foi pequena ou quando o organismo ainda está em fase inicial de sensibilização.
Reações muito rápidas merecem atenção especial, pois podem evoluir para quadros mais intensos, como dificuldade para respirar ou queda da pressão arterial.
Alergia a camarão: quanto tempo dura?
A duração dos sintomas varia conforme a intensidade da reação e a rapidez do tratamento:
- Reações leves: coceira, vermelhidão ou manchas discretas costumam durar de algumas horas até a 1 ou 2 dias.
- Reações moderadas: urticária extensa, inchaço facial ou sintomas gastrointestinais podem persistir por 2 a 5 dias.
- Reações graves: como o choque anafilático, exigem atendimento imediato e observação hospitalar, pois os sintomas podem reaparecer horas depois (reação bifásica).
Mesmo após o desaparecimento dos sintomas, a sensibilidade ao camarão permanece. Novas exposições podem provocar reações iguais ou mais intensas.
Como fica a pele na alergia a camarão?

A pele é um dos principais locais de manifestação da alergia a camarão. As alterações podem surgir minutos ou poucas horas após o consumo.
Os sinais mais comuns incluem:
- Vermelhidão e coceira intensa;
- Manchas avermelhadas com bordas irregulares;
- Urticária (placas elevadas semelhantes a vergões.
Também pode ocorrer inchaço, especialmente em:
- Lábios;
- Pálpebras;
- Rosto;
- Mãos.
Alergia a camarão pode matar?
Sim. Em alguns casos, a alergia a camarão pode evoluir para choque anafilático, uma reação alérgica sistêmica grave e potencialmente fatal.
Os principais sinais de alerta incluem:
- Dificuldade para respirar
- Chiado no peito
- Inchaço de língua ou garganta
- Queda da pressão arterial
- Tontura ou desmaio
Alergia a camarão tem cura?
Atualmente, a alergia a camarão não tem cura definitiva. Diferentemente de algumas alergias da infância, ela tende a persistir ao longo da vida, especialmente quando surge na adolescência ou na idade adulta.
O manejo inclui:
- Evitar completamente o consumo de camarão e crustáceos
- Identificação precisa do alérgeno por exames
- Orientação alimentar e leitura de rótulos
- Plano de ação para exposições acidentais
Embora existam estudos sobre dessensibilização, essas abordagens ainda são restritas e não eliminam totalmente o risco de reações graves.
O que tomar em caso de alergia a camarão?
O tratamento depende da gravidade da reação e deve sempre seguir orientação médica:
- Reações leves (coceira, manchas na pele, desconforto gastrointestinal): costumam ser tratadas com antialérgicos (anti-histamínicos) e, em alguns casos, corticosteroides por curto período, conforme prescrição médica.
- Reações graves (falta de ar, inchaço de lábios ou garganta, tontura ou queda de pressão): pessoas com histórico de alergia severa a camarão podem receber orientação médica para portar uma caneta de adrenalina (epinefrina), usada em situações de ingestão acidental e risco de choque anafilático. Mesmo assim, é fundamental procurar atendimento médico imediato, pois trata-se de uma emergência.
Por que o camarão pode gerar alergia?

A alergia a camarão ocorre quando o sistema imunológico reage de forma exagerada a componentes específicos do alimento, produzindo anticorpos do tipo IgE. Substâncias semelhantes também estão presentes em outros crustáceos, como caranguejo e lagosta, o que explica a alta taxa de reação cruzada entre esses alimentos.
Uma das explicações para esse comportamento do organismo é que alguns desses componentes apresentam semelhança estrutural com parasitas, fazendo com que o sistema imunológico responda como se estivesse diante de uma ameaça real..
Pesquisas mostram maior predisposição em quem tem rinite ou asma
Pesquisas recentes mostram que pessoas com rinite alérgica ou asma apresentam maior risco de desenvolver alergia a camarão ao longo da vida. Isso ocorre porque proteínas semelhantes às do camarão estão presentes em ácaros da poeira doméstica e baratas, principais desencadeadores dessas doenças respiratórias.
Na prática, o sistema imunológico pode “confundir” esses alérgenos, passando a reagir ao camarão mesmo após anos de consumo sem sintomas — um fenômeno conhecido como reação cruzada, descrito em revisões publicadas em periódicos internacionais de alergologia.
Trabalhos científicos citam o surgimento da alergia a camarão na idade adulta
A alergia a camarão frequentemente surge na adolescência ou na vida adulta, incluindo aqueles que nunca apresentaram reação antes. Revisões recentes sobre alergia a camarão, como a publicada em 2024 na revista Frontiers in Allergy, mostram que a taxa de remissão espontânea é baixa, o que torna o diagnóstico precoce e a prevenção ainda mais importantes.
Essa mesma revisão destaca que a alergia a crustáceos está entre as principais causas de anafilaxia alimentar em adultos, sendo uma das reações mais associadas a atendimentos de emergência após exposições acidentais.
Alergia ao conservante
Além das proteínas do camarão, revisões publicadas na revista Allergy descrevem que, em casos específicos, os sintomas podem estar relacionados ao metabissulfito de sódio, conservante utilizado em frutos do mar. Essa reação é mais frequente em pessoas com asma, o que ajuda a explicar quadros respiratórios após o consumo desses alimentos.
Que exame posso fazer para saber se tenho alergia a camarão?
O diagnóstico da alergia a camarão deve sempre combinar a avaliação clínica feita pelo médico com exames laboratoriais que auxiliem na investigação do perfil alérgico do paciente.
A dosagem de IgE total, por exemplo, é um exame de sangue que avalia se o organismo apresenta uma tendência alérgica aumentada. Valores elevados não confirmam, sozinhos, a alergia a camarão, mas reforçam a suspeita clínica quando há sintomas compatíveis após o consumo do alimento.
Esse exame costuma ser indicado quando há:
- Sintomas após ingerir camarão ou outros frutos do mar
- Histórico de reações cutâneas, respiratórias ou gastrointestinais
- Suspeita de condição alérgica associada
O resultado deve sempre ser interpretado pelo médico em conjunto com a história clínica, o tempo de início dos sintomas e a intensidade da reação.
Perguntas frequentes sobre alergia a camarão

A alergia a camarão pode surgir do nada?
Sim. A alergia pode se manifestar mesmo em pessoas que sempre consumiram camarão sem problemas, inclusive na vida adulta. Isso acontece porque, com o passar do tempo, o organismo pode mudar a forma como reage às proteínas do camarão, passando a tratá-las como algo nocivo.
Quem tem alergia a camarão pode comer caranguejo ou lagosta?
Nem sempre. Existe reação cruzada entre camarão, caranguejo, lagosta e outros crustáceos. A liberação desses alimentos deve ocorrer apenas após avaliação médica.
A alergia a camarão é causada por iodo?
Não. Esse é um mito comum. A alergia está relacionada a proteínas do camarão, principalmente a tropomiosina, e não ao iodo.
A alergia a camarão pode causar diarreia?
Pode. Sintomas gastrointestinais como diarreia, dor abdominal e vômitos são relativamente comuns em alergias alimentares.
Bebê pode ter alergia a camarão?
Sim. Bebês e crianças podem desenvolver alergia a camarão, geralmente após a introdução alimentar. Qualquer reação deve ser avaliada por um pediatra ou alergista.
Alergia a camarão: exames disponíveis na Transduson
Na Transduson, é possível realizar a dosagem de IgE total, exame que auxilia de forma objetiva a investigação das alergias alimentares e no mapeamento do perfil alérgico do paciente, sempre com interpretação médica.
Com unidades em Alphaville e Carapicuíba, a Transduson possui certificação ONA 3, o mais alto nível de qualidade da Organização Nacional de Acreditação. Apenas 0,5% das 26 mil instituições de medicina diagnóstica no Brasil obtiveram esta distinção.
Evite automedicação:
Para maior segurança, consulte um médico especialista caso tenha quadro compatível com alergia a camarão.
Dra. Luciana Dias Rodrigues Francisco – CRM/SP 63864 | RQE 120.495
Autora do artigo, ela é Médica Radiologista com doutorado pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. É também fundadora e CEO da Transduson.
Referências
- Diagnosis and management of shrimp allergy. Frontiers in Allergy.
https://www.frontiersin.org/journals/allergy/articles/10.3389/falgy.2024.1456999/full - Crustacean allergens: tropomyosin and beyond. Allergy.
https://onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1111/all.13115





